quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Deputado Federal Roberto de Lucena, 20 de outubro de 2011

O SR. Roberto de Lucena (Bloco/PV-SP e como Líder. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, antes de iniciar meu pronunciamento, quero fazer uma saudação especial (...)

Sr. Presidente, recebi informação — e chamo também a atenção do Deputado Dr. Rosinha, grande lutador, grande militante da causa dos direitos humanos nesta Casa — , na manhã de ontem, que os sete educadores bahá'ís presos no Irã desde o início do ano foramagora condenados a quatro e cinco anos de prisão cada um.

Até o momento não foram divulgadas as acusações exatas contra estes professores, porém sabe-se que os crimes pelos quais foram condenados são relativos à educação de jovens estudantes bahá'ís. E, como sabemos, no Irã, jovens da religião bahá'í não podem frequentar as universidades, pelo simples fato de serem bahá'ís. A religião impede que estas pessoas possam ter acesso ao bem mais precioso que uma pessoa pode ter, a educação — um direito fundamental.

Esse foi o motivo pelo qual professores de diversas áreas enfrentaram o problema e decidiram fundar uma instituição de ensino para bahá'ís. O nome dessa instituição é Instituto Bahá'í de Educação Superior — BIHE, que, apesar do nome imponente, é uma iniciativa comunitária informal.
Dois professores foram sentenciados a 5 anos de prisão cada, outros cinco foram sentenciados a 4 anos de prisão, além de outros dois que estão presos aguardando julgamento, sem acusação.

A situação dos bahá'ís no Irã é crítica. Neste momento que vos falo, cerca de 112 (cento e doze) bahá'ís estão atrás das grades não por causa de um crime, mas simplesmente pela sua crença religiosa. Devo lembrar também o caso das sete lideranças bahá'is do Irã. Eles estão cumprindo a pena de 20 anos de prisão. E por quê, Deputado Pastor Marco Feliciano? Apenas por causa da sua religião.

Relembro aqui a V.Exas. o caso do Pastor Youssef Nardakain, que está preso e condenado à morte naquele país pelo crime de apostasia, ou seja, condenado por ter feito a opção de tornar-se um cristão. É um pai de família, um homem digno, honrado, que está condenado à forca apenas pelo crime de ter se tornado cristão e não ter aceitado renunciar essa fé.

Até o presente momento todos os apelos feitos nesta tribuna por mim, pelo Deputado Pastor Marco Feliciano, que aqui está, pelo Deputado Marcelo Aguiar, pelo Deputado João Campos e por outros pares que ocuparam esta tribuna, fazendo um clamor às autoridades brasileiras, no sentido de sensibilizá-las a intercederem pelo pastor, têm sido negligenciados.

Sr. Presidente, ainda ontem foi inquirido a respeito do meu interesse por esse caso, visto que não se trata de um brasileiro. Ocorre que Youssef é meu irmão, Deputado Amauri Teixeira. O que fariam V.Exas. se, como eu, tivessem um irmão, um pai ou um filho no corredor da morte no Irã?

Youssef Nadarkhani é meu irmão à medida que é um cristão. É parte de minha família. Aliás, mais de 90% da população brasileira se declara cristã.
Caso esse jovem pastor iraniano seja executado pelo crime de ter se tornado cristão, cada um dos verdadeiros cristãos de nosso País se sentirão ofendidos — e esses cristãos estão representados nesta Casa pela bancada católica e pela bancada evangélica, da qual sou Vice-Presidente.

Não se trata absolutamente de desrespeito à soberania do Irã. Respeitamos o Irã, respeitamos o povo iraniano, respeitamos as suas tradições. Recebemos os iranianos que chegam em nosso País com cordialidade, e aqui eles têm liberdade, inclusive, para se estabelecer e praticar a sua religião. Têm liberdade, inclusive, para praticar o proselitismo religioso. O que pedimos, humildemente, ao governo do Irã é que se tornar cristão naquele país for um crime, na forma de sua lei, essa pena aplicada ao Pastor Youssef seja convertida em outro tipo de punição. Pedimos, humildemente, clemência, ao Pastor Youssef. Que expulsem o Pastor Yousseff. Nós o queremos aqui no Brasil!

Sr. Presidente, o Brasil e o Irã mantém boas relações diplomáticas e comerciais. Quem sabe esteja na hora de o Governo brasileiro reavaliar nossa relação com o Irãna perspectiva do respeito aos direitos humanos.
Fiz, em forma de ofício, à Presidenta Dilma um apelo para que S.Exa. interceda junto ao governo do Irã pelo pastor. Fomos recebidos, membros da Frente Parlamentar Evangélica e eu, em audiência, pelo Ministro da Justiça, Dr. JoséEduardo Cardoso, quando levamos a nossa preocupação.

Ontem, reunimo-nos, a Frente Parlamentar Brasil-Irã, em audiência com autoridades do Itamaraty para tratar sobre esse assunto. Fizemos também ingerência junto à Comissão de Direitos Humanos desta Casa, através da Sua Presidenta, a Deputada Manuela DAvila, colocando-a a par dos fatos que mencionei.

Devemos deixar claro nossa posição: o Brasil é a favor da liberdade religiosa. É a favor da educação! E por isso precisamos nos manifestar em defesa dos bahá'ís, dos cristãos e dos comunistas presos no Irã. Por isso precisamos nos manifestar em apoio ao Pastor Youssef Nadarkhani.

Voltando ao caso dos educadores presos no Irã, a educação é um direito humano universal, previsto na Carta da ONU e deve ser defendido independentemente da crença religiosa. E aqueles que servem, através da educação, devem ser apoiados e defendidos, e não perseguidos e punidos.
Eu quero mais uma vez fazer este registro nesta Casa, Sr. Presidente, e pedir seja dada publicidade, através dos órgãos de comunicação da Casa, ao nosso pronunciamento e ao nosso posicionamento.

Que Deus tenha misericórdia desses encarcerados no Irã.
Que Deus abençoe o Irã!
Que Deus abençoe o Brasil!
Era o que tinha a dizer. Muito obrigado.

(Fonte: Site oficial da Câmara dos Deputados)

Deputado Federal Luiz Couto, 20 de outubro de 2011

O SR. Luiz Couto (PT-PB. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, mais uma vez eu quero denunciar a perseguição aos Bahá'ís no Irã. Sabemos que a comunidade baháítem um trabalho muito importante na luta pelos direitos humanos, pela promoção da igualdade e da justiça, e nós conhecemos esse trabalho.

No entanto, sete membros dessa comunidade foram condenados por causa de um processo de educação diferente daquele do Estado. Há uma comunidade bahái que fazia o trabalho voluntário de transmitir conhecimento acadêmicos aos jovens baháís e também foram banidos das universidades pelo exato motivo: intolerância religiosa.

Nesse sentido, Sr. Presidente, quero novamente manifestar a minha solidariedade à comunidade baháí e denunciar essa situação. Vou encaminhar à Embaixada do Irã no Brasil um pedido de informações sobre essa intolerância religiosa, ou seja, por que as pessoas não podem ter o direito de professar a sua fé e todos e têm de seguir a religião oficial?

Também vou solicitar informações ao Ministério das relações Exteriores sobre as gestões que vêm sendo feitas para que essas pessoas possam ter acesso à Justiça e que casos de perseguição religiosa e violação de direitos humanos sejam uma página virada na história da humanidade.
Gostaria que a todo o teor do meu pronunciamento fosse dada a devida publicidade nos meios de comunicação desta Casa.

Pronunciamento encaminhado pelo orador

O SR. Luiz Couto (PT PB. Pronuncia o seguinte discurso) - Senhor Presidente, Senhoras Deputadas e Senhores Deputados. Mais uma vez venho a esta tribuna trazer notícias sobre a perseguição aos bahá'ís no Irã. Como os nobres colegas têm conhecimento, os bahá'ís são uma comunidade pacífica, obediente ao governo e defensora dos mais altos padrões de direitos humanos. Todos nós conhecemos o trabalho que os bahá'ís desenvolvem aqui no Brasil nas temáticas de promoção da igualdade, da justiça e dos direitos humanos; muitos de nós conhecemos também o trabalho educacional que os bahá'ís desenvolvem nas suas comunidades, em todas as regiões do nosso país.

Pois bem: no Irã, onde os bahá'ís desenvolvem atividades da mesma natureza daquelas que são realizadas aqui, hámais de cinco meses foi preso um grupo de educadores que, impedidos de ensinar nas universidades iranianas por causa de sua crença religiosa, decidiram realizar um trabalho voluntário de transmitir conhecimentos acadêmicos aos jovens bahá'ís que também são banidos das universidades pelo exato mesmo motivo: intolerância religiosa.
Ontem, dia 18 de outubro, recebi a notícia de que sete desses educadores baháís foram condenados a quatro e cinco anos de prisão cada um. Segundo os relatos que me foram passados pela Comunidade Bahá'ído Brasil, os vereditos dos sete foram pronunciados por um juiz da 28ª. Vara da Corte Revolucionária em Teerã.

Dois dos indivíduos, Vahid Mahmoudi e Kamran Mortezaie, foram condenados cada um a cinco anos de prisão. Os professores Ramin Zibaie, Mahmoud Badavam e Farhad Sedghi, o consultor Riaz Sobhani, e o auxiliar Nooshin Khadem foram sentenciados a quatro anos de prisão.

O único motivo da prisão desses educadores é o seu envolvimento com o Instituto Baháí de Educação Superior (BIHE), uma iniciativa comunitária informal que consiste hoje a única alternativa educacional para os jovens bahá'ís que querem prosseguir com seus estudos.

Segundo a comunidade bahá'í, nem sequer se sabe até o momento quais são as acusações exatas contra estas almas inocentes, cujo único desejo era prestar serviço aos jovens que haviam sido injustamente excluídos da educação superior. Que espécie de sociedade faz do ofício de educar os jovens um crime sujeito a punição?

Senhores e Senhoras, Nobres Colegas, como é de nosso conhecimento, esses indivíduos não tiveram sequer o pleno direito à defesa. Algumas semanas antes do julgamento, como os colegasdevem bem se lembrar, o principal advogado de defesa do grupo, o Sr. Abdelfattah Soltani, foi detido justamente por seu envolvimento na defesa de militantes de direitos humanos, ativistas pelo direito à educação, sindicalistas e outras pessoas cujas atividades são consideradas uma ameaça à segurança nacional.

É um completo absurdo que, em pleno século XXI, um país que é signatário dos principais tratados internacionais de direitos humanos como é o caso do Irã ainda adote práticas de cerceamento do direito àdefesa da maneira como vimos observando no caso dos bahá'ís e em tantos outros, especialmente nos dois últimos anos.

Os Senhores e Senhoras provavelmente tiveram acesso à reportagem da Folha de São Paulo que falava da carta aberta, assinada por 43 teólogos e filósofos de várias partes do mundo, acerca da situação dos professores e colaboradores do BIHE. Nela, o filósofo da religião brasileiro Leonardo Boff destacou que a perseguição aos bahá'ís se dá pelo seu universalismo.

Nas palavras de Boff, a Fé Bahá'í "é a religião mais ecumênica do mundo. Não importa o nome de Deus, desde que seja o princípio supremo que rege todas as coisas. Cristãos, judeus ou muçulmanos podem apoiar isso, sem trair suas origens confessionais. É uma religião dos tempos modernos", diz ele.

Há ainda dois outros baháís ligados ao BIHE o casal Kamran Rahimian e Faran Hesami, ambos instrutores em psicologia que continuam detidos sem acusação. Ainda não temos informações sobre quando serão realizados os julgamentos, mas conclamamos esta casa para que solicite informações junto à Embaixada Iraniana em Brasília e também junto ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil acerca das gestões que vem sendo feitas para que essas pessoas possam ter acesso à justiça e para que casos de perseguição religiosa e violação dos direitos humanos possam ser uma página virada na história da humanidade.
Era o que tinha a dizer.

(Fonte: Site oficial da Câmara dos Deputados)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Deputado Federal Luiz Couto, 2 de junho de 2011

CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ

Número Sessão: 137.1.54.
O Tipo: Extraordinária - CD

Data: 02/06/2011

O SR. LUIZ COUTO (PT-PB. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, quero dar como lido pronunciamento em que me refiro sobre a ação do governo iraniano contra bahá’ís naquele país.

No dia 21 de maio do corrente ano, agentes do Ministério da Inteligência do Irã invadiram simultaneamente as casas de diversas pessoas que professam a fé bahá'í. Para atender a demanda de estudantes, foi criado o Instituto Bahá'í de Educação Superior, uma vez que eles são proibidos de se engajar em estudos universitários no Irã.

Preocupado com essa situação, Sr. Presidente, venho mais uma vez externar minha consternação e condenar as ações recentemente perpetradas pelo governo iraniano contra os bahá'ís; ao tempo em que enviarei expediente solicitando informações sobre as providências que o Ministério das Relações Exteriores do Governo brasileiro tem adotado para garantir os direitos humanos dos bahá'ís iranianos.

Reitero o fato de que o governo iraniano tem, de forma injusta, desrespeitado os direitos humanos. O Governo da nossa Presidente Dilma Rousseff já determinou ao Ministro que não se pode mais ter atitude de abstenção, que tem que condenar sim aquelas ações que dizem respeito à violação dos direitos humanos, praticados pelo Governo do Irã.

Era isso o que eu gostaria de expressar, [...]
Muito obrigado.

PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR


O SR. LUIZ COUTO (PT-PB. Pronuncia o seguinte discurso.) - Senhor Presidente, Senhoras Deputadas e Senhores Deputados. No dia 21 de maio do corrente ano, agentes do Ministério da Inteligência iraniano invadiram simultaneamente as casas de indivíduos bahá'ís nas cidades de Gohardasht, Isfahan, Karaj, Sari, Shiraz, Tehran e Zahedan. Estes indivíduos colaboram diretamente com o Instituto Bahá'í de Educação Superior (Bahá'í Institute for Higher Education), estabelecido em 1987 para atender a demanda de estudantes bahá'ís proibidos de engajarem em estudos universitários no Irã.

Ao menos 30 casas foram submetidas a buscas extensivas e 16 bahá'ís foram presos no mesmo dia ou no dia seguinte. Sabe-se até o momento que um bahá'í foi liberado e oito foram interrogados e liberados.

A ação destas autoridades para com indivíduos associados ao Instituto Bahá'í de Educação Superior demonstram a clara intenção do governo iraniano de levar a cabo sua política de eliminação da comunidade bahá'í. Reiteramos que a restrição ao acesso de bahá'ís aos estudos universitários é uma ação que integra o plano mais amplo de bloquear o progresso e desenvolvimento da comunidade bahá'í no Irã, segundo o documento do governo iraniano datado de 1991, aprovado pelo Ayatollah Khamenei. Este documento, conhecido como Memorando de Golpaygani, foi descoberto pelas Nações Unidas e compartilhado com a comunidade internacional em 1992.

Tal política tem sido praticada antes mesmo do memorando entrar em vigor. Durante a Revolução Islâmica em 1979, estudantes e professores bahá'ís foram expulsos de universidades iranianas. Para mitigar a situação, em 1980 a comunidade bahá'í informalmente direcionou os serviços voluntários dos professores que haviam sido despedidos para que ensinassem estudantes bahá'ís em suas casas. Desde então o governo iraniano vem buscando extinguir tal arranjo informal.

Em 1998, aproximadamente 26 bahá'ís envolvidos nesta iniciativa foram presos em um período de cinco dias e mais de 500 lares bahá'ís e equipamentos utilizados para as aulas foram confiscados. Os anos de 2001 e 2003 se destacam como anos em que ataques mais intensos foram perpetrados com a finalidade de extinguir tal atividade.

Em 2006, a comunidade internacional se manifestou com veemência acerca da proibição de estudantes bahá'ís universitários prestarem exames de admissão às universidades em função de sua crença religiosa. Não há dúvidas de que os ataques contra colaboradores do Instituto Bahá'í de Educação Superior fazem parte de uma campanha orquestrada para desmoralizar jovens bahá'ís, restringir o acesso destes jovens à educação formal e assim fomentar o empobrecimento da comunidade bahá'í iraniana.

Preocupado com esta situação recorrente, venho mais uma vez externar minha consternação e condenar as ações recentemente perpetradas pelo governo iraniano contra os bahá'ís, ao tempo em que enviarei expediente solicitando informações sobre as providências que o Ministério das Relações Exteriores do governo brasileiro tem adotado para garantir os direitos humanos dos bahá'ís iranianos. Reitero o fato de que o governo iraniano tem, de forma injusta, restringido o direito fundamental, o da educação. Era o que tinha a dizer.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Deputado Federal Luiz Couto, 4 de abril de 2011

CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ


Sessão: 056.1.54.O Hora: 15:15 Fase: PE
Orador: LUIZ COUTO Data: 04/04/2011


O SR. LUIZ COUTO (PT-PB. Pronuncia o seguinte discurso.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, venho a esta tribuna para divulgar as últimas notícias sobre as sete lideranças Baháís que estão entrando em seu terceiro ano de prisão no Irã.

Conforme já expressei em pronunciamentos passados, as lideranças Bahá'ís são alvo de pura perseguição religiosa e foram presas arbitrariamente, simplesmente por seguirem sua fé.

Esses líderes religiosos vêm enfrentando as péssimas condições de salubridade das prisões iranianas, compartilhando celas superlotadas com assassinos e estupradores, em condições desumanas que afetam a saúde atémesmo dos guardas carcerários.

As sete lideranças no Irã, inocentes de qualquer ato ilícito, continuam presas sem acesso a aconselhamento jurídico e com apenas o mínimo grau de oportunidade para visitas supervisionadas a seus entes queridos. Eles foram detidos sumariamente e, apesar de terem sido submetidos a intensos interrogatórios, somente sete meses depois receberam um motivo totalmente absurdo e injustificável para a sua detenção.

Os colegas Parlamentares se lembrarão de que o julgamento ocorreu após várias audiências realizadas durante o primeiro semestre de 2010, culminando com uma sentença de 20 anos de prisão para cada uma das sete lideranças.

Essa decisão causou indignação em todos os cantos do planeta e gerou uma série de protestos e declarações contra esse absurdo, incluindo manifestações realizadas por mim e por outros nobres colegas desta Casa.

A pressão internacional mostrou ao governo iraniano que o mundo está de olho nos abusos cometidos contra essa minoria e que nenhuma violação dos direitos humanos passará despercebida.

Em agosto de 2010, os advogados de defesa dos Bahá'ís submeteram uma apelação que resultou na revogação das acusações de engajamento em atos de espionagem, colaboração com o Estado de Israel e fornecimento de documentos confidenciais a indivíduos estrangeiros com a intenção de minar a segurança do Estado.

Sob pressão de autoridades públicas que estavam determinadas a encontrar um motivo para a condenação, o judiciário iraniano determinou que as crenças religiosas desses indivíduos bahá'ís e os serviços que prestavam voluntariamente à sua comunidade seriam ilegais, baseando nesse fato a pena de 10 anos de prisão.

Posteriormente, diplomatas iranianos confirmaram essa sentença em reunião realizada no Parlamento Europeu em janeiro deste ano. Porém, em nenhum momento foi entregue aos réus ou a seus advogados qualquer registro escrito do veredito, que somente lhes foi informado oralmente.

Caros colegas, o motivo que me traz aqui hoje é para informá-los, e a toda a sociedade brasileira, que os direitos à liberdade e à vida desses líderes religiosos sofreram mais um grave ataque.

Por meio de um mecanismo jurídico presente na constituição iraniana, os prisioneiros bahá'ís foram informados, em 16 de março de 2011, que as sentenças foram revisadas com base num código de regras puramente religioso e foi rejeitada a decisão da corte de apelação, aumentando a sentença inicial de 10 para 20 anos de prisão.

Para piorar essa situação, o tribunal que aumentou a pena nega acesso ao processo, o que impede os advogados dos líderes bahá'ís de entrarem com pedidos de habeas corpus e outras apelações. Pior que isso, impede o atendimento médico.

As acusações que mantêm os líderes baháís presos são completamente falsas, inventadas com o propósito de justificar a pura e inaceitável perseguição religiosa.

Caros colegas, não podemos deixar que isso passe despercebido. Em pleno século XXI, esses líderes religiosos estão no cárcere apenas por seguirem sua fé.
Além de ferir os direitos humanos desses sete religiosos, essa prisão fomenta o ódio religioso no Irã e em outros países. Os bahá'ís têm sofrido frequentes atentados terroristas naquele país e todo tipo de perseguição, inclusive estatal, simplesmente por terem uma fé diferente, mesmo sendo pessoas de bem e trabalhadoras.

Em situações graves como essa, a comunidade internacional não pode se calar. É preciso que o Congresso Nacional, a sociedade brasileira e a de outros países expressem seu apoio às suas comunidades bahá'ís nacionais. No Brasil, há mais de 65 mil bahá'ís, além das centenas de milhares de apoiadores de suas atividades voltadas para a melhoria das condições de vida da população das localidades onde vivem.

Sr. Presidente, solicito que este pronunciamento seja divulgado por todos os meios de comunicação desta Casa, sendo encaminhada cópia à Presidenta Dilma e ao Ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota. Solicitarei informações acerca do caso à Embaixada Iraniana em Brasília.

Registro também a nossa solidariedade aos bahá'ís do Brasil e àqueles que são vítimas da arbitrariedade, da perseguição por parte do Governo do Irã.
Em boa hora o Brasil assinou a designação da investigação das violações de Direitos Humanos no Irã. É um passo que foi dado pelo nosso Ministério das Relações Exteriores que queremos apoiar. A violação de Direitos Humanos deve ser investigada em qualquer lugar que venham a acontecer.

Muito obrigado, Sr. Presidente.

O SR. PRESIDENTE (Domingos Dutra) - Obrigado, Deputado Luiz Couto. Parabéns pelo pronunciamento! Eu me associo ao conteúdo do mesmo.


(original disponível em http://www.camara.gov.br/internet/sitaqweb/TextoHTML.asp?etapa=3&nuSessao=056.1.54.O&nuQuarto=17&nuOrador=1&nuInsercao=0&dtHorarioQuarto=15:15&sgFaseSessao=PE%20%20%20%20%20%20%20%20&Data=04/04/2011&txApelido=LUIZ%20COUTO&txEtapa=Sem%20reda%C3%A7%C3%A3o%20final)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Deputado Federal Pedro Wilson, 17 de agosto de 2010

O SR. PEDRO WILSON (PT-GO. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr.
Presidente, mais uma vez, saúdo esta Casa pela realização do 4º Seminário Latino-
Americano de Anistia e Direitos Humanos. Anistiados de todo o Brasil (...)

Sr. Presidente, gostaria também de protestar contra o fato de lideranças
bahá’i serem condenadas a 20 anos de prisão no Irã, sem provas concretas. A nossa solidariedade ao povo iraniano bahá’i, que luta pela sua liberdade.

(...)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Deputado Paulo Delgado, 09 de junho de 2010

O SR. PAULO DELGADO (PT-MG. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, manifesto a minha solidariedade e adesão ao Dia Mundial de Solidariedade aos Bahá’i, comunidade religiosa minoritária do Irã, que vem sendo perseguida pelo governo autocrático e teocrático dos aiatolás. A política de direitos humanos no mundo democrático é incontornável e não admite exceções. Há mais de 15 anos no Congresso Nacional, sempre lutei pelos Bahá’i. Registrei a
perseguição do governo do Aiatolá Khomeini, que via com desconfiança os Bahá’i. E essa situação se agravou de maneira insustentável. Espero que a comunidade internacional, ao observar a angústia e o sofrimento de uma minoria religiosa, veja que tudo que ocorre com os outros pode acontecer conosco.
Era esse o registro que tinha a fazer.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Deputado Paes de Lira, 13 de maio de 2010

O SR. PAES DE LIRA (Bloco/PTC-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, a diplomacia brasileira tem-se alinhado à iraniana, apesar dos questionamentos internacionais. Está no poder daquele país um governo que lá chegou por eleições questionadas no mundo inteiro e que, a seguir, desencadeou um processo brutal de repressão política em relação àqueles que apenas queriam o direito de expressar sua insatisfação com o resultado manchado das eleições. Esse mesmo governo mantém no cárcere, sem julgamento, 7 líderes da organização religiosa Comunidade Bahá’í, impedindo a expressão religiosa, impedindo o exercício de direitos humanos naquele país. A masmorra é sem ar, e não há condições mínimas de salubridade — não há como, por exemplo, fazer exercício físico. O caso está sem julgamento, sabe-se lá até quando. É imperativo que o Presidente da República, do alto do seu prestígio, mude essa linha diplomática e que o País afaste-se das ditaduras.